Imóveis: reformar ou vender, eis a questão

Imóveis: reformar ou vender, eis a questão

Imóveis: reformar ou vender, eis a questão Por vários motivos, chega um momento em que proprietários precisam então decidir o destino do imóvel; decisão deve considerar, entre outros aspectos, o custo-benefício que envolve o tamanho da moradia e o seu tempo ‘de vida’.

 

Grávida, Fernanda Tegacini decidiu mudar de apartamento. Foto: Felipe Rau / Estadão

Matheus Riga / Especial para o Estado

“Reformar ou vender”, eis a questão. Seja por conta da chegada de um novo membro para a família, ou por causa de um novo animal de estimação, ou por diversos outros motivos, a pergunta permanece a mesma. A restrição do espaço, a localização e o custo da operação devem ser colocados na balança na hora de resolver esse dilema.

O presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP), José Augusto Viana, diz que o primeiro passo para resolver o dilema é observar a questão objetivamente, já que trata-se de um bem durável “que está dentro da faixa de preço de tudo o que uma família consegue juntar ao longo da vida”.

A dica de Viana é fazer o orçamento tanto da reforma quanto da aquisição de um novo imóvel e compará-los. “Isso é o básico, as pessoas têm de saber analisar o custo-benefício de cada uma das opções”, diz.

Para ele, o tamanho do imóvel é outra questão que deve ser levada em consideração. “O problema do espaço é seríssimo”, afirma. “É ele que molda a estrutura de convivência da família.” Segundo Viana, todo o planejamento da casa deve ser repensado com a chegada de um novo membro na casa.

No caso da arquiteta Fernanda Tegacini, a opção foi pela venda do apartamento em que ela morava com o marido e sua filha. Com a notícia de que estava grávida, a preocupação com o espaço disponível no imóvel em que vive falou mais alto.

Espaço e conforto

“A ideia de mudar foi realmente para buscar mais espaço e o conforto de todo mundo”, afirma Fernanda. A dois meses de ter mais uma menina, a arquiteta optou, então, por não colocar as duas filhas no mesmo quarto do apartamento de 79m² onde mora.

A principal preocupação era, segundo ela, que a rotina da sua futura filha não atrapalhasse a da outra. “Bebês têm necessidades muito específicas, como o berço e a poltrona de amamentação, que ocupam bastante espaço”, afirma. “Também não queria que a outra criança fosse acordada de madrugada.”

Como sabia da demora e o estressa que envolvem uma reforma, decidiu alugar um outro apartamento para quando sua filha nascesse. “Optei ir para um lugar que já estava reformado, mais organizado, para poder receber a bebê com calma.”

O plano de Fernanda é ficar no apartamento alugado, vender o seu para poder comprar um outro imóvel e reformá-lo à sua maneira. “Só não parti para a reforma, porque não queria assumir esse compromisso”, afirma. “Quis deixar minha saúde mental na gravidez mais tranquila.”

O casal José e Andreia Alfieri decidiu reforma o imóvel. Foto: JF DFiório /Estadão

Casamento e reforma

Repaginar o imóvel foi a opção do casal Andreia e José Luiz Alfieri e. A professora, que já era mãe de dois filhos, se apaixonou e casou com o empresário e eles decidiram que Alfieri iria se mudar para o apartamento dela.

Para que isso realmente ocorresse, porém, era necessário promover uma reforma no apartamento. Com 98 m², o imóvel de Andréia tinha apenas um banheiro, que dividia com os filhos. A presença de Alfieri na casa exigia uma nova configuração da casa.

“O problema inicial era viver dividindo o mesmo banheiro com as crianças”, afirma Alfieri. “Chegamos a procurar algum outro imóvel que tivesse pelo menos dois banheiros, mas optamos pela reforma.” Segundo o empresário, a confiança que a arquiteta deu de que solucionaria a questão foi fundamental para a escolha do casal.

Novo banheiro e cozinha americana

Além da criação de um novo banheiro, a reforma do imóvel também interligou a sala com a cozinha e construiu um escritório. “A mudança foi bem radical, mas foi positiva em todos os termos possíveis”, afirma Alfieri. “O apartamento parece que ficou mais arejado, mais claro.”

A maior dificuldade, no entanto, foi ter de ficar os quatro meses de reforma longe do imóvel. “Quando você vê o momento de destruição do apartamento, você percebe que é impossível ficar lá dentro”, diz. “É muita poeira, não tem condições.”

Para a arquiteta Carmen Avila, os casos em que as pessoas podem continuar morando enquanto a reforma se desenrola são poucos. “É sempre melhor quando a pessoa sai. Fica mais rápido e o resultado é melhor com menos estresse”, afirma.

O maior desgaste de uma reforma, segundo Carmen, é encaixar a necessidade do cliente com o que o apartamento consegue suportar. “Adoro fazer reforma, mas o arquiteto precisa saber exatamente o que o morador quer que seja feito naquele imóvel”, afirma. Para ela, as exigências devem ser passadas de maneira bem clara.

Forma pensada pelos proprietários

Na mesma linha de pensamento, a arquiteta Fernanda Takadachi diz que o principal papel de sua profissão é avaliar o apartamento e ver se é possível dar a ele a forma que os proprietários querem. “Cada morador é um morador com uma necessidade diferente”, afirma. “A gente precisa ouvir o que ele precisa para poder chegar no que eles querem.”

Para alcançar e cumprir as expectativas dos clientes, a arquiteta Ana Yoshida diz que é fundamental ter diversas reuniões e conversas com os clientes até que se chegue em soluções adequadas. “Temos sempre que perguntar o que eles estão vivendo e o que desejam melhorar”, afirma.

Um das formas de apresentar as soluções, como conta Ana, é exibir para os seus clientes como a obra seria finalizada, por meio de ferramentas de desenho tridimensionais. “Isso ajuda muito a concretizar e mostrar a ideia realmente aplicada no espaço”, diz.

O que considerar

Custo
Antes de optar por uma das possibilidades é importante fazer o orçamento de uma reforma que se adeque à nova realidade da família, assim como o valor para investir em uma nova moradia. O ideal, caso a opção escolhida seja a venda, é procurar um novo apartamento ou casa durante o processo de negociação.
Espaço
Independentemente do motivo pelo qual o dilema aparece, a primeira ação é pensar em como o imóvel atual pode ser rearranjado para atender à nova demanda. Caso seja possível remanejar os cômodos do apartamento ou casa, a melhor opção é a reforma. Se for inviável, o indicado é a venda do apartamento ou casa.
Tempo de vida
Outro fator que deve ser levado em consideração é a ‘idade’ do imóvel. Moradias com mais de 30 anos de existência podem apresentar problemas em sua estrutura, como na parte elétrica ou hidráulica. Apartamentos e casas mais novas já utilizam materiais que estendem sua ‘expectativa de vida’.
Localização
A análise não só da estrutura do bairro, mas também do valor do metro quadrado devem entrar na balança daqueles que estão enfrentando o dilema.

Fonte: Estadão