Mercado imobiliário x investidores

Mercado imobiliário vs investidores

Se o tradicional investidor do mercado imobiliário tem trocado tijolos por papéis em bolsa de valores, ainda há espaço para aplicações à moda antiga no setor, que continua visto como garantia de renda para uma geração inteira. O advogado Evelcor Fortes Salzano, que atua no direito administrativo há 50 anos, considerado uma das principais referências no tema, é um desses investidores.

Após repartir o controle de sua empresa, Grupo Salzano Participações, entre as quatro filhas e manter negócios nos campos industrial e agrícola, Salzano viu na incorporação uma forma de assegurar dividendos fixos à família.

“A menina dos meus olhos são os processos judiciais, que é do que realmente entendo. Mas herdei a teoria do meu avô de que imóveis são o melhor investimento, já que ninguém leva. Nem assaltante, nem banco quebrado, nem virada de governo”, argumenta o conservador investidor.

“A filosofia de Salzano é sempre comprar e não vender”, completa Márcio Bissetti, executivo contratado há um ano. Ex-Montblanc e Dupont, Bissetti é responsável pela gestão do patrimônio do grupo, que tem participação majoritária na Vidro Porto S.A., indústria de vidro soprado situada em Porto Ferreira, município paulista. Neste negócio, os principais clientes são fábricas de aguardente e indústria cervejeira. “Fornecemos para Ambev e Schin, incluindo desde o mês passado produção de long neck”, afirma Salzano.

Há 13 anos, Salzano adquiriu duas casas na rua Abílio Soares, no bairro paulistano Paraíso, que foram demolidas para a construção de um estacionamento. Comprando, demolindo e aumentando o estacionamento, o empresário levou mais de uma década para formatar um terreno de 1,2 mil m que hoje abriga seu primeiro lançamento imobiliário. Administrado pela Graich e com projeto arquitetônico de Konigsberger & Vannucchi e construído pela Company, o empreendimento Paese Salzano é composto por uma torre de 13 andares com 109 salas comerciais para locação, que variam de R$ 40 a R$ 60/m.

“É o patrimônio das meninas e futura aposentadoria delas”, diz Salzano, referindo-se às filhas. No setor agrícola, detém plantações cítricas de laranja e limão e outras fazendas arrendadas para cultura de cana-de-açúcar destinada a fabricação de etanol. “E os negócios em construção civil devem se repetir”, avisa Salzano, já de olho em novos terrenos. Ele não revela o investimento realizado no Paese Salzano, que 24 horas após o lançamento já tinha 40% das salas locadas. “Posso dizer que foram vários Mercedes”, brinca, também guardando em segredo o ativo total do grupo.

A entrada no mercado imobiliário é uma forma de assegurar também a perpetuidade dos negócios da companhia que leva seu nome, já que Salzano acredita que o escritório de advocacia que comanda tem prazo de validade definido. “O escritório de advocacia se fez em torno do meu nome. Quando eu desaparecer, ele tende a desaparecer da mesma forma que aconteceu com escritórios de colegas”, considera. O empreendimento foca profissionais autônomos da área de saúde, já que o terreno é vizinho aos hospitais Osvaldo Cruz, Santa Catarina, Beneficência Portuguesa e Sírio Libanês.

Fonte: Gazeta Mercantil