Os bailes funk têm incomodado os moradores de diversos bairros da Zona Norte

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Os bailes funk têm incomodado os moradores de diversos bairros da Zona Norte

 Jovens e adolescentes se aglomeram nas noites de sexta, sábado e nas tardes e noites de domingo, com o som extremamente alto, fechando ruas, impedindo moradores de entrar e sair de suas casas, consomem bebidas alcóolicas, algumas vezes fazem uso de drogas e atos obscenos em público. Esse tipo de evento nasceu no Rio de Janeiro, veio para a Zona Sul de São Paulo e se espalhou por outras regiões.

As regiões periféricas ainda estão entre os locais com maior incidência de baile funk, até mesmo pela própria falta de lazer. No entanto já existem ocorrências destes eventos nas regiões centrais.

Na Zona Norte, há inúmeras reclamações de bailes funk nos bairros: Jardim Elisa Maria; Jardim Carumbé, Jardim Brasil, Jardim Fontális, Brasilândia; Jardim Peri, Parque Tietê, Jova Rural; Jaçanã e ruas como a Itamonte e a Tenente Sotomano, no Jardim Brasil, e avenidas como a Engenheiro Caetano Álvares, e o conhecido Largo da Matriz, na Freguesia do Ó. Em entrevista à AGZN, o chefe da Divisão Administrativa e Operacional do Comando de Policiamento de Área Metropolitana Três (CPA/M-3), major Waldir Pires, fala sobre as ações da polícia na região.

Já se tornou algo comum a Polícia Militar ser acionada por ocorrência de perturbação do sossego, devido à ocorrência dos bailes funk na Zona Norte. Geralmente os moradores se queixam de diversas pessoas aglomeradas, inclusive alcoolizadas, que promovem um baile funk em plena via pública durante toda a noite. Pela manhã, ficam os resquícios da festa, como lixo, e indícios de uso de drogas e prática de atos obscenos ao ar livre. O famoso “pancadão” é proveniente de veículos estacionados na rua.

A perturbação do sossego é, dentro da legislação brasileira, uma contravenção penal que consiste em perturbar o sossego alheio com as ações como, gritaria ou algazarra; exercício de profissão incômoda ou ruidosa, em desacordo com as prescrições legais; e abuso de instrumentos sonoros ou sinais acústicos.

Segundo o chefe da Divisão Administrativa e Operacional do Comando de Policiamento de Área Metropolitana Três (CPA/M-3), major Waldir Pires, os bailes funk tiveram origem no Rio de Janeiro e vieram para São Paulo, a princípio para as periferias. “São locais onde não existem lazer: cinema, quadra de esportes, e clube onde as pessoas possam se divertir. Por isso, o Governo tem investido nestas áreas periféricas para trazer a comunidade para o nosso lado”, disse.

O major Pires comenta que os comandantes dos batalhões participam semanalmente de reuniões de Plano de Policiamento Inteligente (PPI) para identificar os locais com maior índice de criminalidade e direcionam o policiamento para as áreas mais críticas. Eles têm realizado ações para coibir esses eventos.

O 18º BPMM tem executado a Operação Tranquilidade Pública. Foi feito um levantamento para saber onde ocorre os maiores bailes funk. “Eles chegam cedo nos locais e fazem operações pontuais. Por volta das 17 horas, os policiais ocupam o terreno e começam a fazer o patrulhamento preventivo. “Se chegar um carro esquisito, eles já abordam e se esse veículo tiver alguma irregularidade eles já autuam”, disse. “O mesmo ocorre com motos, carros com som, pessoas, então nestes locais que há o patrulhamento preventivo não existem essas ocorrências de perturbação de sossego, como a realização de baile funk. Não havendo baile funk neste local, eles migram para outros locais.”

O 9º BPMM, por meio do serviço reservado, também levantou que iria ocorrer um baile funk na região e conseguiu coibir. “Geralmente são vielas sem saída, eles fecham aquele local e os residentes não conseguem sair e entrar em suas casas.”

O major ressaltou que para evitar o confronto, a Polícia Militar chega antes do início do evento. “Depois que o evento já está lá e com um número grande de pessoas vira confronto e não é essa a nossa intenção, não queremos a violência.”Neste ano, em toda a Zona Norte, ou seja, em toda a área do CPA/M-3, foram realizadas 8.180 ocorrências de perturbação de sossego no mês de janeiro. Em fevereiro, houve um aumento e o total foi de 13.560. No mês de março foi 11.331 e até o dia 12 de abril, esse número já chegava a 2.547. “Esses números não são exatamente de baile funk. Por perturbação de sossego pode ser aquela festinha realizada pelo vizinho que ultrapassa o horário de silêncio, a partir das 22 horas, entre outras.”

A Avenida Engenheiro Caetano Álvares, em frente aos bares, na região do Mandaqui, é um dos locais escolhidos para a realização do baile funk. “Às sextas-feiras e sábados, a partir da 1 hora, quando alguns estabelecimentos começam a fechar por causa da lei do silêncio, aí eles se aglomeram e fecham a Avenida Engenheiro Caetano Álvares.” Segundo ele, o 43ºBPMM também fez um levantamento para realizar o patrulhamento.

 

Engenheiro

 Avenida Engenheiro Caetano Álvares, próxima à região do Mandaqui, é um dos pontos de perturbação de sossego, nas noites de sextas e sábados, onde as ações policiais já conseguiram resultados

Na região do 5º BPMM, as Ruas Tenente Sotomano e Itamonte são pontos críticos para ocorrência de perturbação de sossego. Na região do 47º, do 18º e do 43º, existem pontos críticos no Jardim Fontális; Jardim Filhos da Terra; Brasilândia, Taipas; Jardim Carumbé, Jardim Elisa Maria; Jardim Peri; entre outros.

Uma das alternativas da Polícia Militar para coibir os bailes é a instalação da Operação Delegada, como está sendo feita no Largo da Matriz, na Freguesia do Ó.

O major Pires orienta a população a denunciar esses eventos pelo Disque Denúncia (181), que é uma ferramenta ótima, onde o cidadão que faz a denúncia não precisa se identificar. Segundo ele, o Disque Denúncia ajuda muito e com esse levantamento a polícia efetua operações específicas direcionadas naqueles pontos que poderão ocorrer os bailes funk. As denúncias também podem ser feitas por meio das redes sociais, onde geralmente os batalhões têm suas próprias páginas.

Fonte a Gazeta da Zona Norte