Valor: Com setor em crise, resultado das incorporadoras deve piorar

Valor: Com setor em crise, resultado das incorporadoras deve piorar
A expectativa é de resultados mais fracos do que os do mesmo período do ano passado para as incorporadoras em geral, em decorrência de menores lançamentos e vendas, da queda da confiança do consumidor, do aumento das taxas de juros, das restrições de crédito imobiliário e dos distratos
Os números divulgados pela Tecnisa abrem a temporada de balanços do segundo trimestre do setor. A expectativa é de resultados mais fracos do que os do mesmo período do ano passado para as incorporadoras em geral, em decorrência de menores lançamentos e vendas, da queda da confiança do consumidor, do aumento das taxas de juros, das restrições de crédito imobiliário e dos distratos. Por outro lado, há tendência de continuidade da geração de caixa.
A média das projeções do Credit Suisse, Itaú BBA e Votorantim Corretora aponta que a Tecnisa terá lucro líquido no segundo trimestre 64,3% menor do que o do mesmo período do ano passado. A média para a receita líquida aponta queda de 36%.
Há expectativa que os lançamentos e as vendas da Tecnisa no trimestre tenham caído, pois a companhia concentrou suas atenções na redução de estoques e entrega de empreendimentos. Analistas esperam geração de caixa pela companhia de abril a junho.
O lucro líquido da Cyrela, maior incorporadora de capital aberto, teve retração de 39,4% ante o indicador registrado um ano antes. A média para a receita líquida teve queda de 20%.
O Itaú BBA espera que os resultados da Cyrela sejam, outra vez, impactados negativamente por provisões trabalhistas e entrega de unidades em atraso. As vendas tiveram queda de 42% ante o ano anterior.
Para o lucro da MRV Engenharia, a média das estimativas de Credit, Itaú BBA, J.P. Morgan e Votorantim é 15% menor do que os do segundo trimestre de 2014 (sem considerar os resultados não recorrentes da subsidiária Log Commercial Properties).
O Credit cita que a Prime, subsidiária da MRV no Centro – Oeste, continuará a ter impactos negativos no resultado da incorporadora e que as despesas de vendas continuarão elevadas. Esses dois fatores devem ser compensados, na avaliação do Credit, por maior reconhecimento de receita e pelo incremento nos resultados financeiros. É esperada geração de caixa. O Itaú BBA prevê aumento nas margens ante o primeiro trimestre.
Para a Gafisa, o J.P Morgan avalia que a companhia terá resultados fracos, com lucro líquido de cerca de R$ 12 milhões e margem líquida de 2%.
A média das estimativas indica queda de 7,2% na receita líquida da Gafisa. A Tenda, divisão de baixa renda, terá uma fatia maior no total da receita da companhia, o que explica a mudança do resultado líquido, de acordo com o Credit. O J.P. Morgan estima que o fluxo de caixa livre da Gafisa será levemente negativo.
Para a Even e a EZTec, as projeções do BTG, do Credit, do Itaú BBA e do J.P. Morgan indicam queda do lucro líquido e da receita. No caso da Even, a média das estimativas para o lucro é de 18,4% abaixo de um ano antes. A receita média projetada para a companhia é de queda de 19%. O J.P. Morgan espera que a Even tenha margens mais elevadas e pequena geração de caixa positiva.
De acordo com a média das projeções, o lucro líquido da EZTec terá queda de 12,3%, enquanto a receita líquida cairá 6,7%.
Já PDG Realty e Rossi Residencial devem mostrar prejuízo líquido no segundo trimestre. A média das projeções de Credit, J.P. Morgan e Votorantim indica prejuízo líquido de R$ 183,3 milhões para a PDG, 35,3% acima do mesmo período do ano passado. A receita líquida da PDG terá queda de 48,6%, conforme a média das estimativas.
De acordo com o Credit Suisse, velocidade de vendas mais baixas e incrementos nos distratos devem pesar nos resultados da PDG.
Fonte: observadordomercado.blogspot.com.br